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Não me sinto um destruidor ... (25 julho 2011)

Sábado, 11.07.20

 

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Não me sinto um destruidor ...

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Republicação de 25 de julho de 2011, in:

https://aguasfrias.blogs.sapo.pt/2011/07/25/

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"Não me sinto um destruidor; o que quero é que tudo nasça com a força que as cousas verdadeiras e naturais merecem, e que o ranço velho não estrague o azeite novo."

 

Miguel Torga - Diário (1946)

 

Burro_Vende-se_ms

"Vende-se?!!!" - fevereiro de 2008

 

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publicado por Mário Silva às 00:06

A Maravilha da Vida é Tudo Nela Ter Justificação (21 - julho - 2011)

Quarta-feira, 08.07.20

 

 

 

A Maravilha da Vida

é Tudo Nela

Ter Justificação

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 Republicação, de 21 julho 2011, in:

https://aguasfrias.blogs.sapo.pt/2011/07/21/

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“Desabafo dum amigo, que não encontra justificação para o seu pecado mortal, que é viver. Viver ao sol, gratuitamente, como um lagarto. Respondi-lhe que a maravilha da vida é tudo nela ter justificação. É, da mais rasteira erva ao mais nojento bicho, não haver presença no mundo que não seja necessária e insubstituível.

 

Rua Central_ms

Rua Central deserta - maio 2010

Que, do contrário, era faltar na terra esta admirável plurivalência, que faz de uma tarde de sol, de trigo e de cigarras o mais assombroso espetáculo que se pode ver. O medir depois a distância que vai da formiga ao leão, da urtiga ao castanheiro, de Nero a S. Francisco de Assis, é uma casuística que não tem nada que ver com a torrente de seiva que inunda o mundo de polo a polo.

Foi-se, e à tarde apareceu-me com um belo poema.”

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   Miguel Torga, in "Diário (1938)"

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publicado por Mário Silva às 00:06

Devo à Paisagem as Poucas Alegrias que Tive no Mundo (17 julho 2011)

Quinta-feira, 02.07.20

 

 

Devo à Paisagem

as Poucas Alegrias

que Tive no Mundo

Miguel Torga

 

Republicação, de 17 julho 2011, in:

https://aguasfrias.blogs.sapo.pt/2011/07/17/

 

"Devo à paisagem as poucas alegrias que tive no mundo. Os homens só me deram tristezas. Ou eu nunca os entendi, ou eles nunca me entenderam. Até os mais próximos, os mais amigos, me cravaram na hora própria um espinho envenenado no coração.

A terra, com os seus vestidos e as suas pregas, essa foi sempre generosa. É claro que nunca um panorama me interessou como gargarejo. É mesmo um favor que peço ao destino: que me poupe à degradação das habituais paneladas de prosa, a descrever de cor caminhos e florestas.

Garagem_ms

As dobras, e as cores do chão onde firmo os pés, foram sempre no meu espírito coisas sagradas e íntimas como o amor. Falar duma encosta coberta de neve sem ter a alma branca também, retratar uma folha sem tremer como ela, olhar um abismo sem fundura nos olhos, é para mim o mesmo que gostar sem língua, ou cantar sem voz.

Vivo a natureza integrado nela. De tal modo, que chego a sentir-me, em certas ocasiões, pedra, orvalho, flor ou nevoeiro. Nenhum outro espetáculo me dá semelhante plenitude e cria no meu espírito um sentido tão acabado do perfeito e do eterno. Bem sei que há gente que encontra o mesmo universo no jogo dum músculo ou na linha dum perfil.

Lá está o exemplo de Miguel Ângelo a demonstrá-lo. Mas eu, não.

Eu declaro aqui a estas fundas e agrestes rugas de Portugal que nunca vi nada mais puro, mais gracioso, mais belo, do que um tufo de relva que fui encontrar um dia no alto das penedias da Calcedónia, no Gerez. Roma, Paris, Florença, Beethoven, Cervantes, Shakespeare...

Palavra, que não troco por tudo isso o rasgão mais humilde da tua estamenha, Mãe!"



Miguel Torga, in "Diário (1942)"

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publicado por Mário Silva às 00:06

Rua N.ª Sr.ª dos Prazeres - de 2011

Sábado, 23.05.20

 

 

Rua N.ª Sr.ª dos Prazeres

 

Vamos desde a Rua Cimo de Vila até à Estrada Nacional.

 

 

É uma rua íngreme mas que tem alguns pontos de interesse como seja o "pórtico" que inicia a Rua e que provavelmente seria a entrada principal de uma grande quinta.

 

De notar que no cimo desse pórtico existe uma pedra talhada em forma de concha (seria ponto de passagem para os caminhos de Santiago???).

 

 

No meio dessa rua já foi o local de uma "Escola Primária", hoje habitação da Sr.ª Lila.


 

O nome da rua deve-se à existência de uma pequena capela, agora (em 2011) em estado de degradação completa, mas ao que me foi dito, esta será motivo de obras  de restauro, dando dignidade à capela de Nª Srª dos Prazeres (hoje, 2020 já restaurada, mas sem nenhuma imagem de Nª Srª dos Prazeres).

 

 

Esta capela, em tempos, estava aberta à população e até era rezada missa, mas já não sei em que altura do ano.

Como povo devoto, os aquafrigidenses tinham e têm uma devoção especial por esta santa.

 

 

 Enquanto subimos a rua, iremos contar um pouco da história desta santa, N.ª Sr.ª dos Prazeres:

 

 

Bem antes da última peste que houve em Lisboa, em 1599, uma imagem da Mãe de Deus, apareceu sobre uma fonte, em Alcântara, na quinta dos Condes da Ilha.

 

 

Essa fonte começou a ser chamada de "santa" porque sua água passou a curar várias enfermidades.

 

Os condes levaram a imagem para sua casa, colocando-a em seu oratório. No entanto, certo dia a mesma imagem desapareceu do seu lugar para ser encontrada sobre um poço.

 

 

Nossa Senhora manifesta-se, então, a uma menina, dando-lhe a missão de pedir aos vizinhos e familiares para ali construirem uma capela onde ela fosse venerada sob o título de Senhora dos Prazeres.

 

 

As pessoas não duvidaram da criança e em pouco tempo a ermida foi erguida.

 

 

A imagem foi ali depositada e os prodígios começaram a ocorrer.

 

 

Nossa Senhora dos Prazeres é a mesma Nossa Senhora das Sete Alegrias, devoção de origem franciscana.

 

 

As maiores alegrias ou os maiores prazeres de Maria Santíssima, que foram enumerados por um noviço franciscano, são os seguintes: a anunciação do anjo, a saudação de Isabel, o nascimento de Jesus, a visita dos Reis Magos, o encontro com o Menino no templo, a primeira aparição do Ressuscitado e a sua coroação no céu.

 

 

Portugal foi a primeira nação católica a festejar as alegrias de Maria.

 

Senhora dos Prazeres, vinde encher de alegria a nossa vida.

Afastai de nós toda espécie de tristeza.

Rogai por nós, que recorremos a vós!

 

 

 

 

ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DOS PRAZERES

Nossa Senhora dos Prazeres, nossa mãe querida, lembrando-nos de vossas grandes alegrias: a Anunciação do Senhor, a Visita à vossa prima Santa Isabel, o Nascimento do Menino Deus, a Adoração dos Magos ao vosso divino Filho, o Encontro de Jesus no Templo, a Ressurreição de Cristo e a vossa gloriosa Assunção, queremos pedir vossa intercessão por nós e pelas nossas famílias junto a Deus. Que Ele nos livre das doenças e dos perigos, do desemprego e da desunião. Nossa Senhora dos Prazeres, ajudai-nos a sermos bons seguidores de vosso adorado Filho, lendo e refletindo a Bíblia Sagrada, alimentando-nos de Jesus na Eucaristia e participando ativamente de nossa Comunidade. Queremos viver o mandamento do amor para com todos e caminhar em nossa vida dentro da justiça, colaborando para a construção da paz e da fraternidade.

Amém.

 

Chegamos finalmente à Estrada Nacional  ...

 

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Republicação de 29 de maio de 2011 em https://aguasfrias.blogs.sapo.pt/2011/05/29/

 

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publicado por Mário Silva às 00:08

Rua Cimo de Vila (maio de 2011)

Sexta-feira, 22.05.20

 

 

 

Iremos fazer uma pequena incursão pela Rua Cimo de Vila (imagens de maio de 2011)

Esta artéria tem início na Rua 1.º de Maio e vai até à estrada nacional 103.

 

Cimo de Vila 2_InPixio_ms_P&B

Iremos acompanhar as imagens com o poema "Realidade" de Álvaro de Campos, (heterónimo de Fernando Pessoa) in "Poemas".

 

REALIDADES

 

Sim, passava aqui frequentemente há vinte anos...

Nada está mudado — ou, pelo menos, não dou por isto —

Nesta localidade da aldeia...

 

Há vinte anos!...

O que eu era então! Ora, era outro...

Há vinte anos, e as casas não sabem de nada...

 

Cimo de Vila 3_InPixio_ms

 

Vinte anos inúteis (e sei lá se o foram!

Sei eu o que é útil ou inútil?)...

Vinte anos perdidos (mas o que seria ganhá-los?)

 

 

Tento reconstruir na minha imaginação

Quem eu era e como era quando por aqui passava

Há vinte anos...

Não me lembro, não me posso lembrar.

 

Cimo de Vila 5_InPixio_ms

 

O outro que aqui passava, então,

Se existisse hoje, talvez se lembrasse...

Há tanta personagem de romance que conheço melhor por dentro

De que esse eu-mesmo que há vinte anos passava por aqui!

 

Cimo de Vila 6_InPixio_ms

 

Sim, o mistério do tempo.

Sim, o não se saber nada,

Sim, o termos todos nascido por aqui (ou não)

Sim, sim, tudo isso, ou outra forma de o dizer...

 

Daquela janela do primeiro andar, ainda idêntica a si mesma,

Debruçava-se então uma rapariga mais velha que eu, mais

lembradamente de azul.

 

Cimo de Vila 9_InPixio_ms

 

Hoje, se calhar, está o quê?

Podemos imaginar tudo do que nada sabemos.

Estou parado física e moralmente: não quero imaginar nada...

 

Houve um dia em que subi esta rua pensando alegremente no futuro,

Pois Deus dá licença que o que não existe seja fortemente iluminado,

Hoje, descendo esta rua, nem no passado penso alegremente.

Quando muito, nem penso...

Tenho a impressão que as duas figuras se cruzaram na rua, nem então nem agora,

Mas aqui mesmo, sem tempo a perturbar o cruzamento.

 

Cimo de Vila 11_InPixio_ms

 

Olhamos indiferentemente um para o outro.

E eu o antigo lá subi a rua imaginando um futuro girassol,

E eu o moderno lá desci a rua não imaginando nada.

 

Talvez isso realmente se desse...

Verdadeiramente se desse...

Sim, carnalmente se desse...

 

Cimo de Vila 10_InPixio_ms

 

Sim, talvez...

 

 

Álvaro de Campos, in "Poemas"

Heterónimo de Fernando Pessoa

 

 

Bom ... o poema já terminou e ainda vamos a meio caminho da Rua Cimo de Vila.

 

 E ... agora que ela começa a subir ...

 

... vamos ganhar "fôlego" para descobrir,  outros recantos/ encantos desta Rua de Cimo de Vila.

 

 

Republicação (adaptada) de 07 de maio de 2011, in: https://aguasfrias.blogs.sapo.pt/2011/05/07/

 

 

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publicado por Mário Silva às 00:07






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