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Cerejeira (Cerdeira) – Da Flor ao Fruto - junho 2008

Quarta-feira, 17.06.20

 

CERDEIRA (Cerejeira)

Da Flor ao Fruto

🌼    🍒

 

Republicação de 23 de junho de 2009, in:

https://aguasfrias.blogs.sapo.pt/2009/06/23/#topo

 

Cerejeira (ou Cerdeira) é o nome dado a várias espécies de árvores, algumas frutíferas, outras produtoras de madeira nobre. Estas árvores classificam-se no sub-género Cerasus incluído no género Prunus (Rosaceae). Os frutos da cerejeira são conhecidos como cerejas, algumas delas comestíveis. A cerejeira foi introduzida na Europa, sendo que é uma planta originária da Ásia.

As cerejas são frutos pequenos e arredondados que podem apresentar várias cores, sendo o vermelho a mais comum entre as variedades comestíveis. A cereja-doce, de polpa macia e suculenta, é servida ao natural, como sobremesa. A cereja-ácida ou ginja, de polpa bem mais firme, é usada na fabricação de conservas, compotas e bebidas licorosas, como o Kirsch, o Cherry e o Marasquino.

As cerejas contém proteínas, cálcio, ferro e vitaminasA, B, e C. Quando consumida ao natural, tem propriedades refrescantes, diuréticas e laxativas. Como a cereja é muito rica em tanino, consumida em excesso pode provocar problemas estomacais, não sendo aconselhável consumir mais de 200 ou 300 gramas da fruta por dia.

O cultivo da cerejeira é realizado em regiões frias. Necessitam de 800 a 1000 horas de frio para que possam produzir satisfatoriamente em áreas com Invernos frios e chuvas.

In - http://pt.wikipedia.org/wiki/Cerejeira

cerejeiras 1_InPixio_ms

Mais que uma vez me vou referir a esta árvore de fruto que ora concentrada em grande cerejal até disseminada um pouco por toda a aldeia de Águas Frias.

É, para mim a árvore de fruto de eleição das muitas que se encontram pela aldeia.

Não é somente o sabor suculento do fruto por ela produzido, mas toda a beleza desde a floração, até ao desenvolvimento do fruto passando pelas variadas colorações por que vai passando.

Com o início da Primavera a cerdeira (cerejeira) vai desenvolvendo, lentamente, uma flor pequena, simples e alva.

cerejeiras 2_InPixio_ms

Por si só, não passaria de uma flor comum a muitas outras, mas esta singeleza torna-se magnânima, quando todas as suas irmãs desabrocham tornando cada árvore uma fonte de admiração.

cerejeiras 4_InPixio_ms

Agora imaginem um campo repleto delas … um espectáculo que a vista não se cansa de observar.

Um “mar” branco de flores.

Tenho comparado esta imagem às amendoeiras em flor, que tanta publicidade lhe é dada, mas esta (cerejeiras) é, senão mais bela, sê-lo-á, certamente de igual beleza.

cerejeiras 5_InPixio_ms

Pena que não se promova este espetáculo, que embora efémero, poderia ser palco para que muita gente que nunca teve esse privilégio de o ver e ao mesmo tempo poder contactar com a Aldeia e a sua hospitaleira gente.

Mas a beleza desta árvore não fica por aqui.

O vento, as abelhas e outros insetos, trabalham afincadamente para que a polinização se faça e a fecundação se concretize.

Começam a aparecer por entre a folhagem “cachos” de pequenos frutos, ainda pequenos e verdes.

cerejeiras 7_InPixio_ms

cerejeiras 8_InPixio_ms

Com a ajuda do sol e de alguma água, esses frutos verdes vão faseadamente tomando diversos coloridos; verde claro, amarelado, mesclado de amarelo e rosado, até …

cerejeiras 9_InPixio_ms

... finalmente, a partir de fins de maio e junho, tomarem a sua majestosa cor vermelha (mesmo assim em diversas tonalidades consoante a variedade da cerejeira, do rosado, ao vermelho vivo até ao granã quase negro).

cerejeiras 10_InPixio_ms

cerejeiras 11_InPixio_ms

A beleza desta árvore torna-se novamente surpreendente, pois a mistura da folhagem verde salpicada de frutos vermelhos, torna-a única.

cerejeiras 12_InPixio_ms

Falar dela faz revisualizar esta paisagem, mas nada se compara com a visualização no local, enquadrada em toda a sua envolvente.

Se acham que exagero, na devida época venham vê-las. Penso que se forem rápidos ainda encontrarão muitas carregadas de fruto.

E por falar de fruto e como diz o ditado popular e com razão “é a cereja em cima do bolo” – não é por acaso que este ditado popular, percorrendo séculos, ainda é hoje amplamente aplicado para designar que “agora sim, tudo está perfeito”.

cerejeiras 13_InPixio_ms

AGORA JÁ  NÃO PRECISA ABRIR A CEREJA

PARA VERIFICAR SE TEM "BICHO"

Basta seguir os seguintes conselhos:

 

1.º - Verificar cuidadosamente a cereja em toda a sua superfície;

2.º Se na cereja  encontrar um pequeno orifício - PODE COMER À VONTADE, porque o "bicho" que estava no interior já saíu.

3.º Se a cereja não tiver qualquer oríficio, PODER COMER À VONTADE, pois é sinal que o "bicho"  não entrou.

 

 

BOM APETITE !!!!!!

 

🌼    🍒

 

 

 

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publicado por Mário Silva às 00:06

Trabalho no campo - Sementeira (maio de 2009)

Quarta-feira, 27.05.20

 

Trabalho no campo

Sementeira

 

Republicação de 31 de maiode 2009, in:

https://aguasfrias.blogs.sapo.pt/2009/05/31/

 

Continuando a saga dos trabalhos agrícolas, e depois de todas as tarefas, que tinham como objectivo máximo, criar todas as condições, do ventre da terra, para a sementeira.
 
 
Terreno lavrado - foto tirada no inicio de Maio - as cerejas ainda estavam por amadurar ... mas agora ....
 
 
Semear – colocar as sementes na terra.
 
Esta tarefa para mim, um citadino não agricultor, tem um significado que vai além da simples tarefa de lançar a semente à terra – faz-me lembrar o momento depois da "concepção" (que se fez ao nível da flor, na agricultura, e no encontro do espermatozóide com o óvulo) e que deu origem a um embrião (a semente – na agricultura).
 
A partir deste momento esta, tem dentro de si, já todos os elementos para dar origem a um novo ser vivo (radícula, caulículo, folículos e até substâncias de reserva) – mas precisa de um ventre (solo) e condições para se desenvolver (os nutrientes – no estrume ou adubo, nos sais minerais da terra, … que serão absorvidas com a ajuda da água).
 
Até aqui se encontra analogia com o que se passa dentro do ventre materno em que o embrião humano está protegido pelo líquido amniótico e recebe todos os nutrientes para o seu desenvolvimento através do cordão umbilical que o liga à progenitora.
A mãe passa a ter alguns cuidados para que o seu futuro bebé disfrute das melhores condições para o seu desenvolvimento. Ainda não o vê mas, mas já cuida dele.
 
 
 
Também o agricultor dá algum conforto à sua semente, cobrindo-a com a terra fofa, sem antes lhe preparar os nutrientes essenciais: estrume, adubo, material orgânico.
 
Também antes os pais sonharam, idealizaram e prepararam condições económicas, de organização para a recepção do novo ser.
Afinal foi o que cada agricultor (lavrador) fez, ao preparar o terreno, lavrando-o, frezando-o, tirando pedras e ervas daninhas, que pudessem ser obstáculo para que a semente, agora lançada, vingasse e desse um novo ser perfeito e viçoso.
 
"O QUE VOCÊ SEMEAR, VOCÊ COLHERÁ” – ditado popular
 
Ainda antes foi preciso escolher cuidadosamente a semente que mostrasse melhores condições (grande parte delas já apartadas desde a última colheita).
 
 
 
Chegou o momento de tanta espera, destes novos seres vivos que serão as novas plantas: o milho, o centeio, o trigo, as favas, o tomate, pepino, feijão, …. – lança-se a semente à terra.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tal como o embrião humano também as sementes nem sempre dependem das condições e cuidados que lhes depositamos. Podem ser doenças que não se podem prever e na agricultura além disso ainda dependem de factores climatéricos que não se podem controlar.

 
Basta uma chuva, granizo, geada, frio ou calor em demasia e fora de tempo, para que todo o trabalho anteriormente feito, vá “por água abaixo” e desfaça sonhos, previsões sentindo o vazio de todo esse trabalho, sentindo que foi em vão, e quase sempre sem qualquer retribuição económica que seria, a base de sobrevivência para uma boa parte do ano.
É o "aborto" expontâneo" que leva à desilusão, deixa cair todas as expectativas e leva por vezes à revolta interior.
 
É esta talvez uma das razões para se verem pela Aldeia cada vez mais terreno de poulo”.
 
 
 
Tanto “ventre” que depois de décadas e décadas de terem “partos” consecutivos e produtivos, que davam sustento a todas as famílias (e numerosas), são agora “úteros vazios”, dando lugar a locais carregados de “fungos”, “bactérias”, enfim ervas daninhas que em nada enobrecem esses ventres fecundos e sadios.
 
Mas mesmo contra todas essas adversidades as gentes residentes/resistentes, não baixam os braços e lutam e persistem (e ainda bem) em semear as suas terras e hortas, esperando o nascimento dos novos seres vivos que serão, quais filhos, que os apoiarão ao longo do(s) o(s) ano(s).
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Continuam a cuidar das suas sementes, que no seio da terra se vão desenvolvendo, sachando a terra, eliminando as ervas daninhas que lhes roubam o sustento “às suas filhas”, e arejam o terreno e em tempo de canícula vão logo, antes do nascer do sol, regá-las, para que nada lhes falte.
 
Começam a emergir, da terra tenras plantas, indefesas e necessitadas de cuidados redobrados – é a fase do nascimento.
 
Mas tal como nos humanos, é altura de alegria, mas não o fim. Ainda falta muito para deixarem de ser cuidadas, pois até ao amadurecimento (até adultos) precisam dos seus progenitores.
 
Todos os cuidados são fundamentais e não há tempo para desleixos.
 
Tanto no desenvolvimento de um bebé como de uma planta, cada fase precisa de tarefas distintas e nem sempre fáceis, a maior parte das vezes são árduas e às vezes penosas.
Tal como se deseja a um bebé que ele seja perfeito e saudável, também depois da sementeira é preciso desejar um bom desenvolvimento das plantas para que a colheita seja proveitosa e proporcional ao esforço dispendido.
 
Por tudo isso, o meu desejo é que todas as colheitas realizadas sejam proporcionais ao esforço que, embora eu não o fizesse, observei e constatei a forma como cada agricultor dispendeu com muito esforço (as mão calejadas, as costas doridas, as dores nas pernas e braços, canseiras em arranjar quem ajude, que o tractor funcione, que …. até porque a população vai envelhecendo e as forças já não são as mesmas dos 20 anos.
 
Claro que há, felizmente, jovens (poucos) que ainda trabalham a terra, ajudando os pais e espantem-se: jovens casais, com a colaboração dos filhos, que sendo oriundos de Águas Frias compraram casa e terrenos e que vem das terras onde vivem (a centenas de quilómetros) e passam o seu fim-de-semana a trabalhar na Terra que é a sua.
 
 
São poucos mas são de louvar, pois prescindem muitas vezes do seu tempo de lazer e férias para tratar as terras, hortas e vinhas que certamente, sem a sua intervenção iriam juntar-se às muitas que, ao abandono se encheram de silvas, gestas e todo o tipo de ervas que invadem os terrenos incultos.
 
A Tia Lila ensinando como se cava o rego para se colocarem as sementes ...
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os ensinamentos foram eficazes e ... mãos na enxada e o rego lá vai seguindo o seu caminho.    Citadinos com amor pela terra.
 
Com a supervisão da Tia Lila, todos trabalham; uns cavam , outros semeiam, uns com mais geito, outros sem geito nenhum,....
 
 
 
Todos dão seu contributo (segundo o seu geito) sob o olhar atento do cão.
 
Aqui se pode ver as diferenças de postura de quem já semeia há décadas e quem nunca o tinha feito. A tia Lila de costas direitas , descontraída, lançando de forma ritmada as sementes à terra, outro, de costas curvadas com medo que as sementes não caiam no sítio certo.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O amor à sua Terra e à terra, ainda existe ...
 
 
 
Antes de terminar este tema e, se repararam não mencionei o “semear” da batata, pois penso que é pouco "correcto", pelo menos cientificamente, falar de semear quando afinal a batata é um tubérculo e não uma semente e por isso seria mais correcto, pelo menos no seu conceito, em falarmos em plantar batatas (mesmo quando dizemos “batata de semente”).
 
 
************************************************************************
 
Queria deixar ainda um poema de Luiz Wilson, dedicando-o a todos os agricultores, em especial áqueles que mesmo com o avançar da idade, ainda cultivam a terra com a mesma paixão dos seus vinte ou trinta anos:
 
 
“Canto meu verso para o velho agricultor
Reconhecendo seu valor por sua forma de plantar
Ele agora já tem seu rosto enrugado
Seu andar modificado mas não pára de lutar
 
A sua enxada é sua arma mais potente
Agricultor, homem valente, homem da mão calejada
O cansaço é invisível no seu rosto
Ele tá sempre disposto e não teme qualquer jornada
 
Sua experiência vale um bom troféu
Para o velho agricultor eu tiro o meu chapéu
 
É muito cedo na hora que o galo canta
Quando ele se levanta e bota lenha no fogão
Toma um café muitas vezes apressado
Pensando lá no roçado como se fosse o patrão
 
Não há relógio que controle o seu horário
O Sol é seu calendário, seja em que tempo for
Cada estação ele sonha com a colheita
Sua fé sempre respeita e trata a terra com amor
 
Sua experiência vale um bom troféu
Para o velho agricultor eu tiro o meu chapéu”
 
 
 
 
 
******************************************************************
 
 
E lembremos sempre do velhos ditados populares sobre a sementeira:
 
 

"Quem semeia ventos, colhe tempestades”

“Quando a Lua minguar, nada hás-de semear “
 
"Falar é semear; ouvir é colher”
 
 
 
E já agora que Maio está a terminar, alguns provérbios sobre este mês:
 
 
"O Maio me molha, o Maio me enxuga
 
Maio ventoso faz o ano formoso
 
Maio couveiro não é vinhateiro.
 
Maio frio e Junho quente: bom pão, vinho valente.
 
Maio hortelão, muita palha e pouco grão.

Maio pardo e ventoso faz o ano formoso.
 
As favas, Maio as dá, Maio as leva.
 
Quando Maio chegar, quem não arou tem de arar.
 
Uma água de Maio e três de Abril valem por mil.
 
 

Até lá ... Boas Colheitas.
 
 
 
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